Emoção e defesa da assistência técnica marcam entrega de premiações da FNA

 

Publicado em: Novembro 24, 2018

Fonte: Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas

Foi entre lágrimas e olhos brilhando que a plateia acompanhou a cerimônia de abertura do 42º Ensa e entrega das premiações Arquiteto e Urbanista do Ano e Prêmio FNA 2018, na noite de sexta-feira (23/11) durante a programação do 42 ENSA, em Brasília. Neste ano, os três trabalhos contemplados resumem a essência da defesa do direito à moradia que vão da ação dos arquitetos e urbanistas a iniciativas da sociedade em reconhecimento ao valor das cidades e da própria profissão. O presidente da FNA, Cicero Alvarez, pontuou a relevância dos profissionais premiados e frisou que é uma honra “homenagear trabalhos que atuam em direitos como o acesso à moradia e ao empoderamento das pessoas”. “A gente precisa criar o futuro, abrir espaço. E esse é um papel que temos que ter claro, inclusive em outras áreas além da arquitetura e urbanismo”. O coordenador do Sindicato Arquitetos DF, Danilo Matoso, ressaltou que as premiações de 2018 são um ato político. “É um ato de resistência que mostra que a arquitetura só se torna arquitetura quando constitui espaço público”.
Na categoria Setor Privado, a arquiteta e urbanista Carina Guedes recebeu o mérito pelo trabalho Arquitetura na Periferia. O projeto, conta ela, nasceu do incômodo em ver que a profissão não ajudava a sociedade como deveria. “Há alguns dias, me perguntaram o que é arquitetura social. E eu respondi que arquitetura social é a arquitetura. Não existe arquitetura sem as pessoas”
No Setor Público, o destaque foi para a equipe do escritório Ah! Arquitetura Humana, pela Cartilha de Athis produzida para o CAU/SC. “É uma honra e uma responsabilidade receber um prêmio com essa envergadura. Não tem como, em um país desigual como o Brasil, não se olhar para os mais vulneráveis e, não tem como falar em assistência técnica sem defendê-la como um direito e muitas possibilidades”, disse a arquiteta e urbanista Karla Moroso ao lado dos colegas Paola Maia, Taiane Beduschi e Franthesco Spautz.
Eu sou o resultado
Inovação, o Prêmio FNA 2018 reconheceu o extraordinário trabalho do filme Era o Hotel Cambridge, uma indicação feita pelo SASP. Representada pela líder do Movimento Sem Teto do Centro de São Paulo (MSTC) e da Frente de Luta pela Moradia e “atriz nas horas vagas” Carmen Silva, a obra recebeu aplausos efusivos. Ela dedicou o prêmio a todos os arquitetos e urbanistas, categoria que, segundo ela, é sinônimo de vida nas cidades.
Ao agradecer à FNA e aos arquitetos, estudantes e a todos que lutam pela assistência técnica, ela disse ser “o resultado” de todo esse trabalho. “Arquitetura é vida. Porque a cidade não é para ser formada de ruínas. A cidade é para a gente viver”. Ela salientou que vivemos em uma nação desigual onde as pessoas são arrastadas para longe dos centros urbanos. “Não queremos nos afastar dos locais urbanizados. Porque, em locais urbanizados, não atingimos o meio ambiente”, disse, lembrando que é graças aos arquitetos e urbanistas que os movimentos sociais passaram a metem o dedo na ferida da especulação imobiliária e a discutir as cidades lado a lado com o poder público. “Enquanto houver uma pessoa necessitada de moradia e de mobilidade e onde tiver pessoas como vocês discutindo com a gente e trazendo a possibilidade de uma cidade igualitária para se viver, vamos resistir. Ninguém vai soltar a mão”.

 

Foto: Jardine